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Probióticos: o que são?

Probióticos são definidos pela Organização Mundial da Saúde como microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades apropriadas, conferem benefícios à saúde das pessoas.

Há bibliografias que apresentam o termo como originário do latim, que significa “a favor da vida”: pro (a favor) e bios (vida).

Microrganismo é o nome dado a todos os organismos compostos por uma única célula e que não podem ser vistos a olho nu, sendo visíveis apenas com o auxílio de um microscópio.

Sua pele e seu sistema digestivo hospedam cerca de 2.000 tipos diferentes de microrganismos.

Probióticos são microrganismos benéficos presentes principalmente no seu intestino, que são responsáveis pela absorção de nutrientes, por melhorar o seu sistema imunológico e combater infecções.

São essenciais para a sua saúde digestiva, mas os benefícios do consumo não param por aí. Os probióticos intestinais são responsáveis por:

  • Combater doenças intestinais, como colite, síndrome do intestino irritável e doença de Crohn;
  • Melhora a função digestiva;
  • Melhora condições inflamatórias intestinais;
  • Produzir vitamina B12, butirato e vitamina K2;
  • Aumentar a absorção de alguns nutrientes, como vitamina B ou metionina;
  • Eliminar de bactérias, leveduras e fungos ruins;
  • Criar enzimas que destroem bactérias nocivas;
  • Combater doenças transmitidas por alimentos;
  • Combater as bactérias resistentes aos antibióticos;
  • Combater bactérias que causam úlceras;
  • Combater a candidíase, hemorroidas e infecção urinária;
  • Estimular a secreção de IgA e de células T reguladoras, aumentar a produção de macrófagos, que são células de defesa do organismo;
  • Reduzir a gripe e resfriados;
  • Gestão e prevenção do eczema em crianças;
  • Tratar doença hepática;
  • Reduzir o colesterol.

Os probióticos estão no organismo desde o nascimento. Se você não tem probióticos suficientes, os efeitos colaterais podem incluir distúrbios digestivos, problemas de pele, cândida, doença autoimune e resfriados frequentes.

Nós recebemos probióticos em abundância comendo alimentos frescos do solo e alimentos fermentados. Mas, devido à refrigeração e práticas agrícolas com o uso de agrotóxicos, a comida atualmente contém pouco ou nenhum probiótico.

Alimentos Ricos em Probióticos

Veja quais alimentos você deve incluir na alimentação para aumentar a ingestão de probióticos.

Kefir: Semelhante ao iogurte, o Kefir é uma combinação única de leite ou água e grãos de kefir.

Vegetais fermentados: Feito de repolho fermentado e outros vegetais. O chucrute possui probióticos e é rico em ácidos orgânicos, que dão ao alimento seu gosto azedo e melhoram a digestão. Além de prevenir doenças como o colesterol ruim. O que inclui também o picles e cebola em conserva.

Vinagre de maçã: Ótimo para controlar a pressão arterial, colesterol e diabetes, o vinagre de maçã possui vários outros benefícios para a saúde.

Chocolate amargo: O chocolate amargo que possui uma maior concentração de cacau (a partir de 70%) é rico em probióticos e prebióticos.

Ervilhas verdes: Elas possuem um poderoso probiótico que se desenvolve mediante baixas temperaturas. Cuidam da sua saúde digestiva, imunidade e limpam o organismo de toxinas.

Kimchi: Kimchi é um prato oriental, comum na culinária vegana. Preparada com pasta de pimenta vermelha, camarão salgado ou pó de algas. Porém, certifique-se que esteja livre de conservantes, soja e outro alimentos prejudiciais. O melhor seria preparar o kimchi em casa.

Azeitonas verdes: As azeitonas passam por uma fermentação natural, quando são deixadas na água salgada.

Quando os seus microrganismos intestinais ficam desequilibrados, o sistema pode se tornar um terreno fértil para bactérias más, leveduras, vírus, fungos e parasitas.

A maioria das pessoas, incluindo crianças, necessitam aumentar o consumo de alimentos probióticos devido ao uso de medicamentos prescritos, dietas ricas em carboidratos e alimentos industrializados.

Estes produtos químicos matam probióticos em seu sistema, que ao longo do tempo danifica seu trato digestivo.

Veja os principais elementos que impedem o seu corpo de absorver os benefícios dos probióticos:

  • Antibióticos (use somente com prescrição médica e durante o tempo indicado);
  • Açúcar;
  • Água da torneira;
  • Estresse emocional;
  • Químicos e medicamentos.

Estamos expostos a muitos desses alimentos, toxinas e estresse diariamente, e se você quer restaurar a sua saúde digestiva, eles devem ser evitados.

A única maneira de corrigir esse problema e tratar seu intestino é eliminar os alimentos que alimentam as bactérias más, e começar a consumir alimentos ricos em probióticos.

E sempre procure orientação médica para avaliar o estado da sua saúde.


Referências

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Gases Intestinais – como prevenir e tratar?

Os gases intestinais podem incomodar e até serem constrangedores em alguns momentos, mas eles são absolutamente normais em todos os seres humanos. 

É importante entender o que significa flatulência. Flatos nada mais são do que gases intestinais eliminados pelo reto.

Os gases intestinais podem ser causados pela digestão de alguns alimentos e bebidas. Alguns alimentos podem ser menos tolerados pelo nosso organismo e outros chegam ao cólon (intestino grosso) sem serem completamente digeridos onde são metabolizados pela microbiota intestinal (microrganismos que vivem dentro do nosso trato gastrointestinal, incluindo bactérias, vírus e fungos). Esse processo causa fermentação resultando em hidrogênio e dióxido de carbono. O acúmulo desses gases pode causar muito desconforto e dor.

Outro fator que pode causar gases é a ansiedade. Ela acelera o trânsito intestinal, levando mais alimentos mal digeridos ao cólon provocando os gases.

​O tratamento mais eficaz para o problema é por meio de uma dieta que evite alimentos que agravam os sintomas. Vale destacar que esse é um aspecto pessoal e o que causa gases em uma pessoa pode não causar em outra. Para entender mais sobre a quantidade ideal de cada substância alimentar para o seu corpo, é essencial consulta com um nutricionista. É esse profissional que vai detectar a tolerância dos alimentos no seu corpo.

Os gases intestinais também podem ser sintomas de uma série de doenças. Entre as principais estão doença celíaca, síndrome do intestino irritável, intolerância à lactose, gastroenterite aguda, insuficiência pancreática, disbiose, parasitoses, entre outras. Se seus gases forem acompanhados de perda de peso repentina, diarreia por mais de cinco dias, febre ou fezes escuras, procure um médico. No caso de doenças, elas devem ser tratadas da forma adequada, por isso, é sempre importante consultar um médico para o diagnóstico correto.

Como eliminar gases presos?

  • Pressione o abdômen: deite de barriga pra cima e, com os joelhos dobrados em cima da barriga, comprima a região abdominal. Isso vai ajudar a eliminá-los;
  • Massageie a barriga com movimentos específicos: faça movimentos no abdômen de cima para baixo e em formas circulares;
  • – Caminhe onde você estiver: no momento dos gases, é essencial que você caminhe para aliviar as cólicas;
  • Beba chá
Erva-doce

A erva-doce é uma planta medicinal muito utilizada tradicionalmente para tratar problemas digestivos ela tem efeito sobre o intestino estimulando seu funcionamento e reduzindo a formação de gases.

A parede do intestino é altamente vascularizada. Dessa forma, uma vez que os nutrientes são absorvidos pelas vilosidades, os vasos sanguíneos os transportam para o fígado através da veia porta e para a corrente sanguínea, a fim de alcançar todas as células do nosso corpo.

Hortelã

O chá de hortelã-pimenta possui flavonoides que são capazes de inibir a ação dos mastócitos, que são células do sistema imune que estão presentes em grande quantidade no intestino e que contribuem para a formação de gases.

Esta planta também tem ação antiespasmódica, que diminui os espasmos do intestino, aliviando o desconforto.

Gengibre

O gengibre é uma raiz com várias propriedades medicinais e é utilizada para tratar muitos problemas na medicina tradicional. Esta raiz também pode ser usada para tratar o excesso de gases, pois facilita o funcionamento do intestino, reduz os espasmos nas paredes do intestino e trata pequenas inflamações que podem piorar a formação de gases.

Erva-cidreira

A erva-cidreira é outra planta muito usada pela medicina tradicional, especialmente para ajudar no tratamento de problemas relacionados com o sistema gastrointestinal. O chá de erva-cidreira possui propriedade antiespasmódica e, por isso, inibe a ocorrência de espasmos no estômago e no intestino, incluindo o excesso de gases.

Camomila

A camomila é uma planta tradicionalmente usada para tratar problemas gástricos e aliviar desconfortos de todo o sistema gastrointestinal. Prevenir o aparecimento de úlceras e inflamações no sistema gastrointestinal, o que previne também o aparecimento de gases. Além disso, o chá de camomila tem ação calmante, que ajuda a diminuir o desconforto causado pelo inchaço abdominal.

Hábitos que evitam a formação dos gases

Melhor do que aprender a eliminar gases é aprender a preveni-los, por isso, conheça hábitos essenciais para evitar a formação de gases:

  • Evite carboidrato em excesso: Os carboidratos são campeões em causar o efeito de barriga distendida. Quanto mais difícil for para o seu corpo digerir um alimento, mais gases serão formados.
  • Evite leite: O leite é responsável por estimular a produção de ácido gástrico e, consequentemente, a acidez do estômago que leva ao inchaço e aos gases. Aqueles que são intolerantes à lactose devem evitar leite e seus derivados ou utilizar a enzima lactase.
  • Faça um desjejum saudável: Aposte em receitas com laranja. A laranja é rica em fibras e água, por isso, ajuda o intestino a funcionar normalmente. Que tal chupar uma laranja no lanche da manhã? Mas fique de olho, se consumidas em excesso, as fibras acabam provocando o efeito contrário. Aposte também em iogurtes naturais.
  • Evite beber enquanto come: Qualquer bebida, especialmente as açucaradas, contribui para a diluição do ácido gástrico e a produção de enzimas, o que faz com que o alimento demore mais ainda para ser digerido.
  • Evite bebidas alcóolicas em excesso: Elas também estimulam a produção do ácido gástrico. Evite, principalmente, de estômago vazio.
  • Mastigue bem os alimentos: Comer com calma, em ambiente tranquilo, mastigar muito bem os alimentos antes de engolir além de fazer uma melhor digestão, você também engolirá menos ar durante as refeições.
  • Pegue leve na gordura: Alimentos gordurosos são mais difíceis de digerir, por isso, eles têm mais chances de causar fermentação.
  • Pratique atividade física: Atividade física é fundamental no auxílio da eliminação de gases, evitando a sua retenção.

ATENÇÃO CELÍACOS!!!

Sigam a Dieta Livre de Glúten corretamente e tomem muito cuidado com as contaminações cruzadas.
Dessa forma, seu intestino estará sempre saudável e sua digestão acontecerá de forma muito tranquila.


Referências

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Você conhece seu intestino?

Doença celíaca é uma enteropatia autoimune, uma síndrome disabsortiva, ou seja, é como se o corpo se voltasse contra ele mesmo, mais especificamente contra o intestino, deixando a absorção dos nutrientes prejudicada.

O intestino faz parte do sistema digestório e é através dele que ocorrem as absorções dos nutrientes e da água.

O Sistema Digestório é formado pela boca, laringe, estômago e intestino.

A primeira parte do sistema digestório (estômago e intestino delgado) é responsável por obter do alimento ingerido os nutrientes necessários para o funcionamento do nosso organismo, enquanto a última parte (cólon e reto) é caracterizada por ser a parte do intestino na qual os movimentos peristálticos fazem maior pressão no bolo alimentar a fim de solidificá-lo e transformá-lo em fezes.

O intestino é dividido anatômica e funcionalmente em duas porções: grosso e delgado.

O intestino delgado é um tubo digestivo localizado entre o estômago e o intestino grosso, é a porção do sistema digestório responsável por absorver a maior parte dos nutrientes que ingerimos.

Anatomicamente, o intestino delgado conta com aproximadamente 6m de comprimento por 4cm de diâmetro, sendo dividido em três regiões distintas:


Ilustração: La Gorda / Shutterstock.com
  • Duodeno, localizado próximo ao estômago (cerca de 25 cm)
  • Jejuno (2,5 metros), é a parte central
  • Íleo (3,5 m), próximo ao intestino grosso

O duodeno está ligado diretamente ao estômago e vai até o jejuno. É nesta região que é trabalhado o bolo alimentar pela ação do suco entérico.

É no jejuno e no íleo que ocorre a absorção dos nutrientes, que passam para a corrente sanguínea e fígado para serem distribuídos para todo o organismo.

O intestino grosso é a porção final do sistema digestório e é o local onde as fezes são formadas. É nesse órgão que grande parte da água e sais minerais são absorvidos, alguns produtos são fermentados e o muco é formado. O muco tem a função de compactar a massa fecal e contribuir para o seu deslizamento.


Intestino grosso. Fonte: Netter, Frank H. Atlas De Anatomia Humana. Gen Guanabara Koogan. 7ª Ed. 2019.

Anatomicamente, o intestino grosso é mais calibroso e também é mais curto que o intestino delgado.  Geralmente, o intestino grosso possui 1,5 m de comprimento e 6,5 cm de diâmetro.

O intestino grosso é dividido em quatro partes principais: ceco, cólon, reto e ânus. O cólon é dividido em cólon ascendente, cólon transverso, cólon descendente e cólon sigmoide.

  • Ceco: é a parte inicial do intestino grosso.
  • Cólon ascendente: como o nome sugere, estende-se para cima e termina na superfície inferior do fígado, estando localizado do lado direito da parede abdominal.
  • Cólon transverso: como o nome indica, atravessa a cavidade abdominal. Ele segue logo abaixo do estômago, na direção da direita para a esquerda.
  • Cólon descendente: inicia-se perto do baço, está presente no lado esquerdo do abdômen e segue para baixo.
  • Cólon sigmoide: essa porção do cólon apresenta a forma de S.
  • Reto: é um canal localizado na região anterior do sacro e termina no ânus.
  • Ânus: local onde o sistema digestório conecta-se com o meio externo e as fezes são liberadas.

O intestino grosso não apresenta vilosidades como as que estão presentes no intestino delgado. É possível perceber no intestino grosso uma grande quantidade de células caliciformes, células enteroendócrinas e também células absortivas, as quais apresentam microvilosidades curtas e irregulares.

Na parede do intestino, estão presentes também células linfoides e nódulos. A riqueza dessas células está no fato do intestino grosso ser repleto de bactérias.

Funcionalidade

O estômago e o duodeno são separados por um esfíncter muscular chamado piloro, por onde o conteúdo estomacal é enviado ao intestino delgado para o início do processo digestório.

Quando o intestino delgado está cheio, ele começa a receber enzimas e sucos para começar a digestão, a bile (produzida pelo fígado e armazenada na vesícula biliar), o suco pancreático (produzido no pâncreas) e também o suco intestinal (produzido pela própria parede do intestino).

Os movimentos peristálticos (contrações) fazem com que o conteúdo vindo do estômago (quimo) se misture com essas substâncias, transformando-se em quilo. O nosso organismo absorve os produtos e nutrientes úteis para o corpo através das vilosidades e microvilosidades da parede intestinal. Vilosidades são pregas que aumentam a área de contato com alimento facilitando a absorção de água e nutrientes.

Funcionalmente, o processo digestório se dá predominantemente no duodeno e nas primeiras porções do jejuno, enquanto as porções mais inferiores e o íleo são responsáveis pela absorção dos nutrientes e algumas vitaminas vitais.

A parede do intestino é altamente vascularizada. Dessa forma, uma vez que os nutrientes são absorvidos pelas vilosidades, os vasos sanguíneos os transportam para o fígado através da veia porta e para a corrente sanguínea, a fim de alcançar todas as células do nosso corpo.

Referências

Doença Celíaca, Saúde Mental e Qualidade de Vida

Pedro Igor da Frota Viana do Nascimento, Psicólogo, CRP 11/17881, fpedroigor@gmail.com

Doença celíaca (DC) é uma patologia crônica que acomete pessoas geneticamente predispostas, sendo desencadeada pelo glúten presente em alguns alimentos e produtos como maquiagens e medicamentos que contenham essa proteína em sua composição. Essa condição afeta cerca de 1% da população mundial (Häuser et. al, 2010), e no Brasil, um estudo realizado com bancos de sangue na cidade mais populosa do país, São Paulo, estimou uma taxa de prevalência de 1:286 adultos (Alencar et. al, 2012). O único tratamento atual para a doença celíaca é a eliminação rígida do glúten da dieta e do consumo de qualquer outro produto que contenha tal propriedade.

E qual a razão de falarmos sobre saúde mental e qualidade de vida na doença celíaca? Devido às mudanças significativas que essa condição de saúde acarreta na vida das pessoas diagnosticadas e as dificuldades amplificadas pela ausência de políticas públicas no país, dentre outros aspectos, que podem constituir estressores. Mas o que é saúde mental e qualidade de vida? Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) (2013, p. 38) “saúde mental é um estado de bem-estar em que um indivíduo realiza suas próprias habilidades, pode lidar com o estresse normal da vida, pode trabalhar produtivamente e contribuir para a sua própria comunidade”. Já qualidade de vida corresponde ao percebimento do sujeito, inserido em uma cultura que possui valores, sobre sua posição na vida em relação a suas metas e preocupações, sendo influenciada pela saúde física e mental, relações interpessoais e com o meio onde vive (WOHQOL, 1993).

Após esse entendimento, é relevante considerarmos que quando uma pessoa é diagnosticada com doença celíaca a eliminação do glúten torna-se imprescindível e uma série de preocupações diárias para o cumprimento do tratamento surgirão, o que pode impactar negativamente em alguns âmbitos da vida como trabalho, estudo e lazer, repercutindo, dessa forma, na sua saúde mental e qualidade de vida. No caso da alimentação, por exemplo, que é o comportamento mais modificado para a adesão ao tratamento da doença, a mudança é drástica, pois muitos alimentos que fazem parte das refeições da maioria das(os) brasileiras(os) e das(os) cearenses contêm glúten como pães, biscoitos, bolos, farinhas, e outros, geralmente a base de trigo, que devem ser excluídos da dieta. E qual o impacto dessa mudança? Certamente, não é simplório.

O comportamento alimentar vai além de necessidade estritamente biológica (filogenética), mas diz respeito também à história de vida particular (ontogenética) e as influências culturais. Os alimentos que consumimos ao longo da vida fazem parte da nossa história subjetiva, há aqueles preferidos por seu sabor, palatabilidade, cheiro; aqueles que estimulam saudade, afetos e lembranças; aqueles que rememoram pessoas e momentos; que são recompensas por determinados comportamentos e metas atingidas. Há também o almoço em família, o jantar com a(o) parceira(o), o churrasco com as(os) amigas(os), a pizza de comemoração, a ceia de Natal, o bolo de aniversário, dentre outros. Nossa relação com os alimentos também é afetiva e social.

Portanto, o processo ou contingência de alimentação que não é apenas o ato de comer, faz parte dos acontecimentos da vida, das relações interpessoais, sendo permeado de conversas, risadas, trocas em que são desenvolvidos e condicionados afetos, sentimentos e emoções. Dessa forma, diante do diagnóstico de uma doença que impõe como tratamento restrição significativa pelo resto da vida, esses elementos mencionados são ameaçados podendo provocar sofrimento psíquico e impacto negativo na qualidade de vida e saúde mental. Entretanto, não apenas para as(os) recém diagnosticadas(os), mas aquelas(es) que convivem com a condição há tempos. E, diante desse cenário, pessoas com DC podem evitar encontros sociais que envolvam alimentação pela falta de opção no cardápio ou receio de contaminação cruzada ou mesmo para evitar constrangimentos, e podem isolar-se socialmente por não se sentirem incluídas.

Ademais, a pessoa diagnosticada com doença celíaca enfrenta várias dificuldades em uma sociedade pouco adaptada para o seu acolhimento e sem condições favoráveis para a manutenção da terapêutica, e essa conjuntura requer elevado nível de alerta e cuidado podendo sobrecarregar mentalmente esses sujeitos. No caso de viagens, por exemplo, o planejamento deve ser bastante minucioso e antecipado; na compra de alimentos, medicamentos e outros produtos a observação e leitura dos rótulos é imperativo; refeição fora de casa requer expressiva atenção e especulação; dentre outras situações. Assim, essa condição de saúde requer significativo estado de vigilância que pode provocar desânimo, estresse e sobrecarga.

Além disso, vários outros fatores repercutem na saúde mental e qualidade de vida desses indivíduos como: ausência de políticas públicas; dificuldades no acompanhamento por equipe multiprofissional; recursos escassos para seguir dieta sem glúten nutritiva e saudável, associada com a pouca variedade de produtos e seus valores, geralmente, elevados; ainda o desconhecimento da população geral a respeito da DC, que influencia em certa negligência com a gravidade da doença.

É relevante considerarmos, entretanto, que as pessoas sentirão esses impactos em sua saúde psicológica e bem-estar geral de forma particular dependendo dos contextos que estão inseridas e das formas de enfrentamento elaboradas. Assim, como lidar com esses desafios impostos pela doença celíaca em uma sociedade pouco adaptada para que se tenha uma vida com mais qualidade de vida e saúde mental? Uma das possibilidades é a aproximação de outras pessoas com DC, sendo as associações de celíacos excelentes vias para que os desafios, sobrecargas e preocupações sejam compartilhados, o que possibilita o aprendizado das estratégias de enfrentamento desses estressores engendradas por outras pessoas, além da possibilidade do estreitamento dos vínculos sociais e o pertencimento de grupo. As associações de celíacos são excelentes formas de suporte social. Outra maneira de enfrentamento ocorre através de lutas nos movimentos sociais organizados na busca por melhores condições de vida por meio de políticas públicas, se materializando também através da cobrança de nossos representantes políticos para inserção dessa pauta em suas propostas.

Outrossim, também precisamos reconhecer o importante papel das universidades e demais instituições de pesquisa, e cobrarmos o subsídio e incentivo do Estado para que continuem desenvolvendo estudos com objetivo de conhecer mais sobre a doença celíaca e seus amplos impactos a fim de elaborar estratégias que visem melhorar a vida dessas pessoas, aspectos fundamentais para o embasamento de políticas públicas. Por fim, a luta por melhores condições de vida e por uma sociedade mais inclusiva é um dever de todas(os).

Referências

Pãozinho Delícia (Dany Farias – Maria Florinha) – sem glúten

Quem é baiano ou já morou em Salvador conhece o tão famoso pão delícia, ou simplesmente pãozinho. Ele é uma iguaria presente em qualquer comemoração, desde festas de aniversários a casamentos e em diversas lanchonetes da cidade. Quando recebi o diagnóstico da doença celíaca, o que muito me entristecia era não poder comer mais aquelas comidas que haviam marcado muito minha infância, afinal comida é memória! Um dos grande aprendizados que a Maria Florinha me proporcionou foi pesquisar e aprender sobre panificação sem glúten. Então, a partir de uma receita de pãozinho delícia original da Elíbia Portela, desenvolvi essa receita sem glúten que compartilho com vocês, queridos amigos celíacos.

Dany Farias, celíaca

Ingredientes

  • Secos
    • 75g de farinha de arroz
    • 52g de fécula de mandioca (ou polvilho doce)
    • 75g de amido de milho
    • 10g de açúcar
    • 7,5g de fermento biológico seco (para pão)
    • 7,5g de fermento químico (para bolo)
    • 7,5g de goma xantana
    • 4g de sal
  • Líquidos
    • 160g de leite integral
    • 1 gema de ovo
    • 32g de manteiga
    • 90g de leite condensado
    • 32g de batata inglesa cozida e amassada
    • 4g de vinagre de maçã
  • Para finalizar
    • Manteiga
    • Queijo parmesão ralado

Modo de Preparo

  • Misture todos os ingredientes secos e reserve.
  • Na batedeira, com o globo (se for planetária) ou com o batedor comum, bata os ingredientes líquidos à exceção do vinagre para misturar.
  • Acrescentar os ingredientes secos e o vinagre e bater, em velocidade média-alta, por 10 minutos.
  • Com a mão molhada modele bolinhas de 45g e disponha em assadeira antiaderente untada com manteiga e deixe fermentar.
  • Asse em forno pré-aquecido a 180ºC por cerca de 8 minutos (como há muita variação entre os fornos, esse tempo pode varias). O pãozinho deve assar (não estar pegajoso internamente), mas não deve dourar.
  • Com os pães ainda quentes, pincele manteiga e polvilhe o queijo parmesão ralado.

Torta de Frango (Bete Santos) – sem glúten

Ingredientes

  • 1 ovo
  • 5 colheres (sopa) de farinha de arroz
  • 5 colheres (sopa) de amido de milho
  • 1/2 xícara de óleo
  • 1/2 xícara de queijo ralado
  • 1 pitada de sal
  • 1 colher (café) de orégano
  • 1 colher (sobremesa) de fermento químico em pó

Modo de Preparo

  • Coloque todos os ingredientes no liquidificador (exceto o fermento) e bata até incorporar tudo.
  • Adicione o fermento e bata ligeiramente.
  • Unte uma forma com azeite e coloque metade da massa na forma.
  • Adicione o recheio e cubra com a outra metade da massa.
  • Leve ao forno pré-aquecido a 180ºC por 20 minutos.

Quiche (mãe da Rebeca Parente) – sem glúten

Ingredientes

  • Massa
    • 2 xícaras de farinha de arroz
    • 2 gemas
    • 4 colheres (sopa) de manteiga
  • Recheio
    • 3 xícaras de repolho bem picado
    • 1 cenoura pequena ralada
    • de 2 a 3 tipos de queijo, que fique mais que a quantidade de repolho e cenoura
  • Cobertura
    • 4 ovos
    • 2 caixas de creme de leite
    • sal a gosto
    • pimenta-do-reino (opcional)
    • noz moscada em pó a gosto (opcional)

Modo de Preparo

  • Massa
    • Misture todos os ingredientes até formar uma massa homogênea.
    • Coloque a massa em uma forma.
  • Recheio
    • Coloque o repolho, a cenoura e os queijos misturados.
  • Cobertura
    • Misture todos os ingredientes e espalhe por cima do recheio.
    • Espalhe queijo ralado por cima da cobertura.
    • Leve ao forno para assar.

Pizza (Adriano Serra) – sem glúten

Ingredientes

  • 1 xícara de leite
  • 1/2 xícara de óleo
  • 1 xícara de farinha de arroz
  • 1/2 xícara de amido de milho
  • 1 colher (sopa) de manteiga
  • 1 colher (sopa) de fermento
  • 1 colher (chá) de sal
  • 1 colher (chá) de açúcar
  • 1 ou 2 ovos
  • 2 fatias de queijo muçarela ou coalho
  • 1 colher (sopa) de queijo parmesão ralado
  • 1 dente de alho
  • cebola ralada a gosto
  • 1 pitada de açafrão

Modo de Preparo

  • Bata todos os ingredientes no liquidificador.
  • Unte uma forma com óleo.
  • Coloque a massa na forma e espalhe de maneira uniforme.
  • Pré-asse a massa por cerca de 10 minutos.
  • Coloque o recheio e volte ao forno por mais 15 ou 20 minutos.

Pizza de Frigideira (Raíssa Matos) – sem glúten

Ingredientes

  • 3 colheres (sopa) de farinha de arroz
  • 1 colher (sopa) de farinha de linhaça
  • 1 colher (sopa) de amido de milho
  • 1 colher (café) rasa de sal
  • 1 colher (café) de fermento químico em pó
  • 1 ovo (recomenda-se tirar a pele)
  • 1/4 xícara (chá) de água
  • 1 colher (chá) de azeite de oliva

Modo de Preparo

  • Misture bem todos os ingredientes (primeiro os secos, à exceção do fermento), depois os úmidos e, por fim, o fermento químico em pó.
  • Usar uma frigideira antiaderente ou untar bem uma frigideira grande, espalhar a massa de forma que fique fina e uniforme e leve ao fogo baixo, Quando dourar, vire o disco.
  • Acrescente o molho e o recheio de sua preferência (coloquei molho Heinz, queijo, orégano, cebola e tomate).
  • Leve ao microondas por mais 4 minutos para derreter o queijo.

Pizza Croc Croc (Gislene) – sem glúten

Ingredientes

  • 2 ovos
  • 2 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado
  • 1 fio de azeite
  • 1 pitada de sal
  • 1/2 xícara de massa de tapioca
  • 1/2 xícara de farinha sem glúten Aminna
  • 1 colher (chá) de fermento

Modo de Preparo

  • Misture bem todos os ingredientes, à exceção do fermento, com um fouet (batedor de ovos).
  • Acrescente o fermento.
  • Unte uma forma com manteiga ou azeite.
  • Asse em forno médio até dourar um lado.
  • Vire, coloque o recheio e asse novamente.